MÚSICA VERDADEIRAMENTE PESADA
by Diogo Almeida
«Malta da pesada», este post é-vos dedicado. Tenho más notícias, na verdade. Uma revelação chocante. A música mais pesada do universo não é criada por machos, na sua sensibilidade mais macha a transbordar de testosterona no deserto debitando riffs à maneira, como pensastes até aqui. Os Metallica são para os ébrios dos sentidos dançarem até cair de não-sentido. Atirar umas garrafas de vidro contra a parede. Estalar os recantos eléctricos da alma. Aquecer o sangue, ingenuamente. Enfim, o que quero dizer é que a música mais pesada do universo não vem das camadas bluesy-rockeiras, dos mundos do stoner/doom/thrash metal/rock. Ou seja, esqueçam lá as cabeleiras dos Slayer, a obscuridade mística dos lingrinhas Sabbath, a roupa sempre impecavelmente preta dos Death, o aparato de estádio cheio e a mascote macabra dos poéticos Iron Maiden, ou o raging coolness pop dos QOTSA. Nada disso. Nada disso, em boa verdade.
A música pesada é feita por bandas/autores com formações musicais superiores, nas melhores universidades do mundo. Sim, por tipos intelectuais, que pensam o barulho e vestem calças slim fit com jaquetas coçadas. Gente em espiral, não é gente bruta e irracional como touros. Fazem música para filósofos, é música que possui uma qualidade histórica [vem lá do kraut/jazz colidir com o noise/punk], é música para outros músicos de igual qualidade, galerias de arte, para sair nas melhores revistas/comunidades à volta da música, para o mundo que pensa e se agita nas coisas da razão.
Um exemplo? Aqui. Há mais, muitos mais. O choro é livre, malta da pesada.
