O LIVRO DOS FILÓSOFOS ATORMENTADOS

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Recebo um mail da Almedina com Sugestões de Natal, onde figura - por entre ensaios de filosofia sérios -, com destaque supremo, o Livro dos Filósofos Mortos. É um daqueles produtos de ir ao microondas e está pronto a servir, quase ali à espreita do marketing agressivo de que os livros de Richard Dawkins, outrora, se muniram. Por que razão me sugerem isto? Quero acreditar que é apenas o Sr. Google a fazer o seu trabalho, porque, para mim, mais do que conhecer as circunstâncias da morte dos filósofos ou o que achavam eles do tema, é importante saber até que ponto viveram iludidos, achando-se uns perfeitos Messias. Essa relação supersticiosa com a morte... Que valor tem a minha [do filósofo tratado] morte? O que intuí na vida, que esperanças alimentei. Foram reais; foram verdadeiras? Valeu a pena? Cairei na graça de alguém, de um deus, do nada? Esse é o verdadeiro tormento. Agora, este morreu louco porque a sua filosofia o entreviu claramente, e o outro morreu ironicamente quando fazia sexo com uma fechadura, homem de filosofia tão aberta ao diálogo, não me interessa nada. Obrigado.