PÕE UM SELO E MANDA PARA A CHINA, POR FAVOR

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Realmente, perco o meu tempo com cada filme... Event Horizon. Cheguei a casa e, de rajada, vi-o. A única qualidade que este filme possui é o design dos espaços. Tudo bem calculado, muito sofisticado, austero e bonito, numa arquitectura entre o gótico e um new age de seita religiosa americana do século vinte. Ainda assim, neste departamento, prefiro o naif do Carpenter; serve para ilustrar boas estórias e distopias.


Ainda deste lado dimensional, creio, Paul Anderson/Philip Eisner decidiram que tinham de contar uma estorieta qualquer pelo meio da megalomania, e esta implica viagens para além da realidade científica e um mastermind que encarna o Mal na figura de um eterno danado, para sempre atraído pela sua criatura. Então, a ideia é colocar actores a fazer o papel meloso - pontuado por um autêntico thriller/festim de aparições - de heróis do Bem, em vez de explorar filosoficamente o Mal/Inferno ou a espiral de loucura daquele senhor cómico, com os olhos cosidos, que ilustra este post. Uma hora e meia disto, caramba. Sem densidade histórica ou um pingo de rasgo que fosse, é uma peça isolada, só mais um elefante branco na história do cinema; está escrito num molde de tão rocambolesca categoria que até quando parece complexo é só patético, cartoonesco. Vai bem organizadinho e de máxima higiene até ao fim... Desde a figura do diabinho, que é o cientista que construiu a Event Horizon, e que abre o filme tendo um pesadelo, que o filme não pára de nos apontar para a superfície tentando desesperadamente ser profundo. 

Meu querido 2001, meu querido Solaris.