SINCERAMENTE, É MUITO GRANDE

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Imaginemos que a literatura é uma pintura versando uma Natureza Morta, e, esta, representa um cabaz semi-tombado - numa posição que confere à composição um dinamismo virtuoso - de frutas. Entre estas, pêssegos, maçãs, laranjas (...), cachos de uva. Clarice Lispector é um cacho de uva, especialmente fugidio, mas o mais brilhante. Pela dificuldade de representar o fruto, um trabalho miúdo, de paciência, mas o brilhantismo e detalhe com que o faz... senhores cagões de coisa nenhuma, Lispector embrulha-vos e mete-vos no bolso com toda a elegância. Aliás, como muitas outras grandes escritoras. Nunca fui de negar, sempre tive o maior dos orgulhos: no meu Olimpo literário existem muitas senhoras.

E nenhuma como Lispector. Quando a leio, aquilo tudo me atinge. A intensidade dela coloca-me em transe, a verdade do animal, as palavras sem sinónimo possível. Em certos momentos de texto, desprega-me, mesmo quando está sol na mente criadora de Lispector.