A PROVA DO TEMPO

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Tenho de preparar um dia para rever Der Himmel über Berlin (As Asas do Desejo), que está ali na colecção de DVD entre um espectacular Le Congrès de Ari Folman e - o ainda não visto - O Sangue de Pedro Costa, porque me lembro de pouco além da profunda impressão que me deixou enquanto adolescente ainda sem leituras de Camus, por exemplo. E como era eu impressionável! Revê-lo hoje, passado tanto tempo, sei que me vai, com leitura e quadro histórico e experimental maior, bater de uma nova forma - quero pôr o filme à prova. Percebo o Wenders primevo, gosto muito, mas não sei até que ponto ainda gosto desse Wenders hipersensorial, planificado talvez com uma poética mais directa no discurso visual e textual. E portanto acessível. Ainda no outro dia revi o Paris, Texas, e achei-o metade do que quando o vi pela primeira vez [também lá pelas primeiras adolescências]! Achei quase fraco.