ULTRAPASSAR O DAVID FOSTER WALLACE METE-ME MEDO

by

Nunca soube bem o que é a ficção; sobretudo, escrevê-la. Para mim, não existe ficção enquanto método de «imaginar, fantasiar». Escreve-se com a vida. Podemos ser mais teoréticos na aproximação à escrita, formais e até distar em muito a nossa experiência vital da experiência dos personagens; mas é a vida vivida que determina tudo o que fica escrito. Eu posso inventar uma língua nova [o que não é novo na arte]; posso caotizar o que quiser na anatomia do texto, ainda é a vida. A dado momento, até acho que se dá um processo de infiltração-inversão curioso: é a arte que começa a comandar a vida, o artista começa a ser um ismo qualquer, coisa que o define no transcurso entre o que é o artista-homem e a imagem que o espectador faz dele. Às tantas, fica encarcerado na beleza mesmo.