GRAVE NÃO É EXISTIR; É NÃO SER FELIZ
by Diogo Almeida
Deus existir é um absurdo. Não é o absurdo no sentido de irrealizável ou muito improvável. É absurdo no sentido de milagre. A existência de Deus tem o carácter de milagre, improbabilidade mágica. Mas, se não existisse, não estaríamos aqui a conjecturar o como da sua existência. É um absurdo ao quadrado. O real não engana; mas, se por detrás de cada evento que parece acontecer por acaso, existir uma causa e um plano genioso, será que podemos suspender o absurdo da existência de Deus? Deus criou o homem porque estava farto de rolar a pedra montanha acima? E se formos nós essa pedra? Estas perguntas são legítimas, mas só se legitimam caso o homem tenha uma finalidade que passe pela felicidade absoluta. Assim eu acredito. Acredito num Deus que ri, dança e é feliz. O absurdo da situação (a realidade não engana) passa ao esquecimento perante a potência dessa felicidade última que Deus é. Fora destes parâmetros, nada mais faz sentido. Nós viemos a existir para ser felizes. Mas Deus prova-nos, pedindo-nos a esperança nele, que tudo poderia ser, ao invés, absurdo. Desolado, sem fim, sentido ou gravidade.
